Respirar Sem Luz
Tens os olhos fechados, para te veres por dentro,
Dentro da nossa repartida solidão,
E é minha a música que pressinto
No teu suspiro quente de inocente menino,
Na tua calada e mentirosa paixão.
Adormecendo o teu desejo roto,
Deslizas pelas suaves encostas do meu corpo,
Seguro na insegurança dos meus braços,
Vagueias nas dobras de um coração.
E pelos lábios de um doce amargo apetecido
Vens cantando graves silêncios ao meu ouvido,
Enquanto eu toco sem tempo nem embaraços
O pesado abandono em meus abraços,
E o teu leve veludo em minhas mãos.
Neste recanto da noite que o dia não viu,
Perdida e esquecida pelas mãos apertadas
(Receio mutuo de não estremecer),
Em palavras que fogem das bocas caladas
Faces enrugadas do entornado prazer
Que fugaz transforma em divino o pecado,
Perco o medo de me perder.
E mergulho embriagada, na transparência de um rio
Que me derrama a alma de vida e de morte,
Até me perder entre o sul e o norte.
E o prazer reparte-se em gotas de emoção
Que escorrem do nosso corpo até à colcha,
Que cobre como névoa o teu colchão.
Dentro da escuridão de um quarto
Onde o tecto voa
E onde quebra o chão.
E é cansada da fome que saciei,
Enquanto me abandonava ao nosso encontro
Afastando a distância que no futuro entornei,
Que preparo o ventre, aconchegado e pronto,
Ouvindo a inquieta e deslumbrada anunciação
(Restos de uma distante e atraente canção)
Dizer-me compassada, num lento e terno sorrir,
Que um olhar me procura por fim,
E que o vou sentir dentro de mim
(2000)
Tens os olhos fechados, para te veres por dentro,
Dentro da nossa repartida solidão,
E é minha a música que pressinto
No teu suspiro quente de inocente menino,
Na tua calada e mentirosa paixão.
Adormecendo o teu desejo roto,
Deslizas pelas suaves encostas do meu corpo,
Seguro na insegurança dos meus braços,
Vagueias nas dobras de um coração.
E pelos lábios de um doce amargo apetecido
Vens cantando graves silêncios ao meu ouvido,
Enquanto eu toco sem tempo nem embaraços
O pesado abandono em meus abraços,
E o teu leve veludo em minhas mãos.
Neste recanto da noite que o dia não viu,
Perdida e esquecida pelas mãos apertadas
(Receio mutuo de não estremecer),
Em palavras que fogem das bocas caladas
Faces enrugadas do entornado prazer
Que fugaz transforma em divino o pecado,
Perco o medo de me perder.
E mergulho embriagada, na transparência de um rio
Que me derrama a alma de vida e de morte,
Até me perder entre o sul e o norte.
E o prazer reparte-se em gotas de emoção
Que escorrem do nosso corpo até à colcha,
Que cobre como névoa o teu colchão.
Dentro da escuridão de um quarto
Onde o tecto voa
E onde quebra o chão.
E é cansada da fome que saciei,
Enquanto me abandonava ao nosso encontro
Afastando a distância que no futuro entornei,
Que preparo o ventre, aconchegado e pronto,
Ouvindo a inquieta e deslumbrada anunciação
(Restos de uma distante e atraente canção)
Dizer-me compassada, num lento e terno sorrir,
Que um olhar me procura por fim,
E que o vou sentir dentro de mim
(2000)


